A BBC, que cita a comunicação social islandesa, noticia a morte do ex-campeão do mundo Bobby Fischer, vítima de doença.
Segundo o jornal Público que antecipou a notícia em Portugal, a sua morte acontece pouco antes de completar 65 anos, na Islândia, país de que se tornou cidadão em 2005. Fischer estava gravemente doente há algum tempo, conta a BBC [na versão brasileira] no seu site, citando a comunicação social islandesa. Mas a causa da sua morte não é revelada.
Lamentavelmente ou não, Fischer irá, provavelmente, ser recordado mais pelas suas polémicas afirmações e atitudes anti-americanas do que propriamente pela qualidade e mesmo genialidade das suas partidas. O que será pena.
Bobby Fischer, tornou-se campeão do mundo, quando triunfou no match contra Boris Spassky, em 1972, na cidade islandesa de Reykjavik.

Foi figura de capa de jornais e revistas de todo o mundo, desde a
Time, a
Life à
Newsweek, passando pela nossa
Flama.
João Cordovil, na RTP e no Diário Popular, comentava as suas partidas, num
match que não passou despercebido ao jornal
Record, onde
Garcia Alvarez, escrevia que Fischer era
um “rei” que não renuncia ao trono.
Naquele tempo, as opiniões dividiam-se, em apostas do vencedor, não escapando o clima político mundial, que então se vivia. Não esqueçamos que Fischer esteve para não participar no citado match, sendo salvo, pelo conselheiro do Presidente Nixon, Henry Kissinger que apelou para o patriotismo de Fischer para defrontar a ameça soviética personalizada por Spassky. Seria uma revolta contra o domínio soviético do xadrez. A política, mais uma vez, entrava no tabuleiro.
Na obra de
David Edmonds e John Eidinow (
Bobby Fischer goes to War), publicada em

Portugal, pela Temas e debates,
A Guerra de Bobby Fischer, aqueles autores, tendo acesso a documentos a pessoas que presenciaram ou contactaram com o meio xadrezista e político, publicaram uma obra de referência sonre o ambiente à margem do
match, que corrigem muitas das ideias feitas naqueles anos da década de 70, em plena
guerra fria.
João Cordovil, escreveu sobre este livro para o blogue
Ala de Rei, que
É de leitura muito gratificante para quem viveu aqueles tempos (e nesse sentido especialmente para quem trabalhou o acontecimento).
Daniel Johnson, no seu livro,
White King and Red Queeen – A History of Chess during the Cold War, centra-se no caminho que o xadrez tomou como arma política na revolução proletária na união Soviética. Naturalmente que o match Spassky-Fischer de 1972 desempenha um papel central.Esta obra recebeu recensões críticas de
John Nunn, no Financial Times,
Steven Poole, no Guardian e
Nigel Short, no Sunday Times. Ver, por todos, o artigo publicado no
Chessbase.
Para compreender as suas ideias, em especial, o seu anti-semitismo e anti-americanismo, pode ler-se, o artigo de
Rene Chun,
Bobby Fischer’s Pathetic Endgame, na revista
the Atlantic.com.
As suas partidas podem ser consultadas, entre outros espaços, no importante
chessgames.com.
Para mais informações sobre Bobby Fischer pode consultar-se a página não oficial que alguns fãs lhe dedicaram, o
bobbyfischer.net.